sábado, 17 de outubro de 2009

ENTRADA DO CRACK

Leva 10 segundos para fazer o efeito, gerando euforia e excitação; respiração e batimentos cardíacos acelerados, seguido de depressão, delírio e "fissura" por novas doses. "Crack" refere-se à forma não salgada da cocaína isolada numa solução de água, depois de um tratamento de sal dissolvido em água com bicarbonato de sódio. Os pedaços grossos secos têm algumas impurezas e também contêm bicarbonato. Os últimos estouram ou racham (crack) como diz o nome. Cinco a sete vezes mais potente do que a cocaína, o crack é também mais cruel e mortífero do que ela. Possui um poder avassalador para desestruturar a personalidade, agindo em prazo muito curto e criando enorme dependência psicológica. Assim como a cocaína, não causa dependência física, o corpo não sinaliza a carência da droga. As primeiras sensações são de euforia, brilho e bem-estar, descritas como o estalo, um relâmpago, o "tuim", na linguagem dos usuários. Na segunda vez, elas já não aparecem. Logo os neurônios são lesados e o coração entra em descompasso (de 180 a 240 batimentos por minuto). Há risco de hemorragia cerebral, fissura, alucinações, delírios, convulsão, infarto agudo e morte; o pulmão se fragmenta. Problemas respiratórios como congestão nasal, tosse insistente e expectoração de mucos negros indicam os danos sofridos. Dores de cabeça, tonturas e desmaios, tremores, magreza, transpiração, palidez e nervosismo atormentam o craqueiro. Outros sinais importantes são euforia, desinibição, agitação psicomotora, taquicardia, dilatação das pupilas, aumento de pressão arterial e transpiração intensa. São comuns queimaduras nos lábios, na língua e no rosto pela proximidade da chama do isqueiro no cachimbo, no qual a pedra é fumada. O crack induz a abortos e nascimentos prematuros. Os bebês sobreviventes apresentam cérebro menor e choram de dor quando tocados ou expostos à luz. Demoram mais para falar, andar e ir ao banheiro sozinhos e têm imensa dificuldade de aprendizado.


O caminho da droga no organismo
1. Do cachimbo ao cérebro.
2. O crack é queimado e sua fumaça aspirada passa pelos alvéolos pulmonares .
3. Via alvéolos o crack cai na circulação e atinge o cérebro.
4. No sistema nervoso central, a droga age diretamente sobre os neurônios. O crack bloqueia a recaptura do neurotransmissor dopamina, mantendo a substância química por mais tempo nos espaços sinápticos. Com isso as atividades motoras e sensoriais são superestimuladas. A droga aumenta a pressão arterial e a frequência cardíaca. Há risco de convulsão, infarto e derrame cerebral.
5. O crack é distribuído pelo organismo por meio da circulação sanguínea5. No fígado, ele é metabolizado.
6. A droga é eliminada pela urina.



Ação no sistema nervoso
Em uma pessoa normal, os impulsos nervosos são convertidos em neurotransmissores, como a dopamina (1), e liberados nos espaços sinápticos. Uma vez passada a informação, a substância é recapturada (2). Nos usuários de crack, esse mecanismo encontra-se alterado.A droga (3) subverte o mecanismo natural de recaptação da substância nas fendas sinápticas. Bloqueado esse processo, ocorre uma concentração anormal de dopamina na fenda (4), superestimulando os receptores musculares - daí a sensação de euforia e poder provocada pela droga. A alegria, entretanto, dura pouco. Os receptores ajustam-se às necessidades do sistema nervoso. Ao perceber que existem demasiados receptores na sinapse, eles são reduzidos. Com isso as sinapses tornam-se lentas, comprometendo as atividades cerebrais e corporais.
O crack nasceu nos guetos pobres das metrópoles, levando crianças de rua ao vício fácil e a morte rápida. Agora chega à classe média, aumentando seu rastro de destruição.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

RECONHEÇA OS SINAIS DE DEPENDÊNCIA DO CRACK

- Lábios, língua e garganta ressecados. Tosse, congestão nasal (nariz entupido), expectoração de muco escuro e danos aos pulmões.
- Na primeira fase de uso, o usuário apresenta hiperatividade, disposição, insônia, desnutrição e perda brusca de peso.
- O uso constante provoca cansaço intenso, tremores, depressão, desinteresse sexual, apatia...Em alguns casos, alucinações, delírios e sintomas paranóicos (sensação de estar sendo vigiado ou perseguido).
- Comportamento violento e muitas vezes inadequado.
- Muitos abandonam hábitos de higiene e cuidados pessoais.
- A "fissura" para fumar novamente e adquirir mais e mais droga pode arrasar o indivíduo financeiramente.
- Contrações no peito, seguidas de convulsões e coma. Arritmias, derrame cerebral e aumento da pressão arterial, fator que pode aumentar o risco de um ataque cardíaco.
ONDE PROCURAR AJUDA?
Unidade de Tratamento e Pesquisa em Álcool e Drogas (Uniad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp): www.uniad.org.br
Programa Álcool e Drogas do Hospital Israelita Albert Einstein: www.einstein.br/alcooledrogas
Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP): www.abpbrasil.rog.br
Secretaria Nacional Anti-Drogas (Senad): www.senad.gov.br

Surge o CRACK




A segunda metade dos anos 1980 marca uma reviravolta nessa história. A partir dessa época, o consumo de cocaína se elevou graças ao surgimento do crack (também conhecido como rock ou pedra), um derivado sintético criado a partir de alterações das características químicas do cloridrato de cocaína, a forma normalmente consumida dessa droga.
O crack possui um custo mais barato em relação a outras drogas. Uma pedra – dose suficiente para causar dependência em muitos consumidores – pode ser comprada em alguns lugares por apenas um real, embora o preço seja dezenas de vezes mais alto em pontos de venda para a classe média e alta. Além disso, o crack atrai muitos de seus usuários por causar efeitos bastante rápidos, obtidos alguns instantes após a inalação da droga através de cachimbos, muitas vezes improvisados. Os efeitos da “viagem” do crack começam a se manifestar apenas 15 segundos após a primeira tragada, tempo necessário para que a droga alcance os pulmões e, dali, o cérebro. Contudo, esses efeitos são efêmeros e duram apenas cerca de 15 minutos. Para efeito de comparação, a cocaína consumida na forma endovenosa produz as primeiras reações em 3 a 5 minutos e seus efeitos se estendem por um período de 30 a 45 minutos. Nesse ponto surge mais uma das armadilhas do crack: à medida que ele é consumido, a duração de seus efeitos torna-se ainda mais passageira. Dessa forma, é comum que os usuários voltem a utilizar a droga alguns minutos depois, podendo consumir em um só dia 15 ou mais pedras, ampliando assim os efeitos nocivos dessa droga. Além disso, os usuários rapidamente consomem seus recursos para obter o crack e podem se entregar à criminalidade para obter o dinheiro para conseguir mais drogas. Ação no sistema nervoso Como a cocaína, o crack é um poderoso estimulante do sistema nervoso central que causa uma elevação nos níveis de dopamina, um neurotransmissor associado com uma região cerebral conhecida como centro de recompensa. Normalmente a dopamina é liberada por neurônios em resposta a sensações prazerosas (como o cheiro da comida de nossas mães!) e reciclada quase imediatamente. O crack e a cocaína impedem a reciclagem de dopamina que, assim, tem seus efeitos amplificados, o que causa uma sensação de grande prazer, euforia e poder. Além disso, o crack também provoca um estado de excitação, hiperatividade, insônia, perda de sensação do cansaço e falta de apetite. Concomitantemente, após o uso intenso e repetitivo, o usuário de crack experimenta cansaço, intensa depressão e perda de peso.
O uso repetitivo de crack e cocaína pode afetar de forma prolongada o centro de recompensa e outras regiões cerebrais. A tolerância aos efeitos dessas drogas também pode se desenvolver, o que contribui para o consumo de doses cada vez maiores dessas substâncias. Além disso, o consumo dessas drogas contrai vasos sanguíneos, causa dores musculares, dilata as pupilas e aumenta a temperatura corporal, o ritmo cardíaco e a pressão sanguínea, podendo causar ataques cardíacos e derrames. Cefaleia, complicações gastrointestinais, irritabilidade, reações violentas e efeitos psicológicos como paranoia e psicose também são observados. Milhões de reais Do ponto de vista do traficante, o crack é, obviamente, um grande negócio, pois um quilo de cocaína – que custa em torno de 5 a 20 mil reais, segundo diferentes estimativas – pode ser convertido em dez mil porções de crack, que rendem cerca de 500 mil reais. Assim, o tráfico movimenta diariamente centenas de milhões de reais nas cidades brasileiras dos mais diversos tamanhos. Obviamente, muita gente ganha dinheiro com o comércio do crack e verdadeiros milionários surgiram desde que essa droga apareceu no Brasil nos anos 1990. Todos ganham muito dinheiro: do traficante de pasta básica de coca a todos os envolvidos na rede de produção, distribuição e comercialização do produto final – as pedras de crack. No lado oposto, vemos milhões de jovens e adultos com suas vidas destruídas, expostos à violência vagando – como o ex-trabalhador citado no início – como mortos vivos expostos à violência, à prostituição e à degradação. No meio desses dois grupos estão – pelo menos por enquanto – familiares desesperados, profissionais de saúde pública muitas vezes atordoados e, infelizmente, governantes ainda desinteressados... Até quando?



http://cienciahoje.uol.com.br/150561

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Em São Paulo, área decadente abriga maior cracolândia do país há 20 anos

Foto Daylife.com


São Paulo - Na maior cidade do Brasil, traficantes e usuários de crack transformaram uma área decadente na principal e mais conhecida “boca de fumo” do país. Conhecida há 20 anos como Cracolândia, a região é localizada no centro da capital paulista.Segundo o delegado do Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) da Polícia Civil, Luís Carlos de Freitas Magno, o local passou por uma transformação depois que a rodoviária do bairro foi desativada, o que acarretou na perda do interesse econômico na área.
“Hotéis e bares ficaram sem clientes e a polícia começou a notar a chegada de imigrantes de outros países da América do Sul. A região começou a se tornar propícia para o tráfico do crack”, diz.De acordo com Magno, as autoridades começaram a recuperar o controle do local em 2000. Hoje, entretanto, a polícia nota uma reacomodação da droga na região. Segundo ele, o perfil dos usuários na área da Cracolândia é basicamente o de moradores de rua, de todas as idades e usuários de álcool.
Foto Daylife.com
“Há uma população flutuante de cerca de 2 mil pessoas usuárias da droga, o que dificulta até para encontrarmos uma pessoa pela segunda vez na área. Parte dessas pessoas não possui nem certidão de nascimento.”Ele destacou que a polícia realiza trabalhos para tentar coibir o tráfico e o uso da droga na região, inclusive contando com o apoio da prefeitura que lava as ruas do bairro.
“Parece uma ação boba, mas não é, porque descobrimos que eles escondiam as pedras nas frestas do asfalto.”


Outras ações destacadas são o fechamento de hotéis e bares irregulares e a realização de triagens, recolhimento de pessoas envolvidas com a droga e o envolvimento das secretarias estaduais para tentar sanar o problema. “A verdade é que esse é um problema social grave e não um problema apenas da polícia.”Segundo ele, os hospitais que recebem dependentes não têm condições de mantê-los por muito tempo. Magno ressaltou que há ainda a idéia equivocada de que o dependente químico possa ser encaminhado para hospital psiquiátrico, mas o local não é indicado porque não há preparo para esse tipo de tratamento.
“Não há possibilidade de internação e os Centros de Acompanhamento Psicológico [Caps] não são suficientes para a demanda. O Poder Público também não dispõe de recursos e meios para absorvê-los”, diz. A Agência Brasil entrou em contato com a prefeitura da cidade que afirmou já existir um projeto em andamento para revitalização do local. O projeto Nova Luz, que teve início em 2005, prevê uma série de ações para recuperar os imóveis abandonados e a segurança da região. O objetivo é conceder incentivos fiscais para atrair comerciantes.No total, 23 empresas já apresentaram projetos e foram habilitadas – a expectativa da prefeitura é que, juntas, elas invistam cerca de R$ 752 milhões.




"Flávia Albuquerque Repórter da Agência Brasil"

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Ações da Cocaína

A cocaína ou benzoilmetil-ecognina (C17H21NO4), um alcalóide extraído da planta Erythroxylon coca, é um anestésico local que bloqueia a despolarização de canais de sódio dependentes de voltagem e por conseqüência a propagação do impulso nervoso (estímulo doloroso). Provoca vasoconstrição por inibição local da recaptação de noradrenalina. Entretanto, sua alta toxicidade e potencial adictivo estão associados ao bloqueio da recaptação de catecolaminas (dopamina e noradrenalina) e serotonina nos sistemas nervoso periférico e central (O’Brien, 2001). Seus efeitos euforizantes são devidos principalmente ao bloqueio da recaptação de dopamina no SNC (Volkow et al., 1999).A recaptação é o principal sistema de retirada de monoaminas da fenda sináptica. Trata-se de um sistema transportador de Na+/ Cl- pela membrana neuronal, ao qual se ligam os neurotransmissores. Quando este sistema é bloqueado, ocorre um acúmulo do neurotransmissor na fenda sináptica, permitindo uma maior interação com os receptores, intensificando assim a atividade do sistema.

Neurobiologia da Ação da Cocaína

Todas as drogas de abuso atuam sobre a neurotransmissão dopaminérgica, mais especificamente sobre a via mesocorticolímbica, que se projeta da área tegmetar ventral (ATV) do mesencéfalo para o núcleo accumbens (NAcc) e o córtex pré-frontal (CPF). Esta ação pode ocorrer de forma direta, sobre os neurônios dopaminérgicos, ou indireta, sobre neurônios de outros sistemas que modulam a atividade dopaminérgica (glutamato, GABA, noradrenalina, serotonina, opióides). A estimulação do NAcc a partir da ativação da via mesolímbica é responsável pela sensação de prazer obtida com o uso da droga. Por isso, esta via de neurotransmissão é conhecida como via do reforço ou da gratificação. O NAcc é anatomicamente dividido em duas partes: central e cápsula. A cápsula, que também abrange alguns núcleos amigdalianos, emite projeções para a ATV e hipotálamo e parece estar mais relacionada com os efeitos reforçadores, enquanto neurônios da parte central modulam efeitos motores, com projeções para núcleos subtalâmicos e substância negra.

sábado, 5 de setembro de 2009

Função Normal da Dopamina no Cérebro


Sabe-se que neurotransmissores como a dopamina (mostrada em vermelho), noradrenalina e serotonina (esta última recentemente descoberta) são catecolaminas sintetizadas por certas células nervosas que agem em regiões do cérebro promovendo, entre outros efeitos, o prazer e a motivação. Depois de sintetizados, estes neurotransmissores são armazenados dentro de vesículas sinápticas (em verde). Quando chega um impulso elétrico no terminal nervoso, as vesículas se direcionam para a membrana do neurônio e liberam o conteúdo, por ex., da dopamina, na fenda sináptica. A dopamina então atravessa essa fenda e se liga aos seus receptores específicos na membrana do próximo neurônio (neurônio pós-sináptico). Uma série de reações ocorre quando a dopamina ocupa receptores dopaminérgicos daquele neurônio: alguns íons entram e saem do neurônio e algumas enzimas são liberadas ou inibidas. Após a dopamina ter se ligado ao receptor pós-sináptico ela é recaptada novamente por sítios transportadores de dopamina localizados no primeiro neurônio (neurônio pré-sináptico). A recaptura dos neurotransmissores é um mecanismo fundamental para manter a homeostase e capacitar os neurônios a reagir rapidamente a novas exigências, já que o trabalho do cérebro é constante.