sábado, 22 de agosto de 2009

COCAÍNA


A cocaína é uma substância que estimula fortemente o sistema nervoso central e é extraída de uma planta chamada Erytroxylon coca ou simplesmente coca.
Cocaína, crack, pasta da coca, merla (ou mela) e a farinha ou pó indicam diferentes preparações obtidas da planta coca; portanto todos estes produtos da coca contem cocaína. A pasta de coca e a merla, são produtos com muitas impurezas e a cocaína que neles existe está sob uma forma que chamamos de base (cocaína básica) insolúvel na água, mas que pode ser fumada. O mesmo ocorre com o crack que se apresenta em forma de pequenas pedras, que também tem a cocaína básica e é bastante fumada. Já a farinha ou pó é a cocaína sob a forma de um sal, cloridrato de cocaína que é solúvel na água. O uso do pó é por aspiração ("cafungar" ou cheirar, fazendo o pó entrar pelas narinas) ou por injeção endovenosa (injetar "pelos canos"). Não é muito comum, mas também pode ser usada oralmente. É possível, também, fumar (via pulmonar).
A cocaína é usada por seus efeitos prazerosos. Ela provoca grande euforia e um prazer de difícil descrição. Além disso, seu uso é atrativo visto levar as pessoas a "perderem" medos e proporcionar sensações de poder. Mas estes efeitos permanecem por um curto período. Após isso a pessoa entra em contato com a realidade, o que pode gerar depressão e ânsia por nova dose da droga.
Os indivíduos que usam ou abusam da cocaína podem ser encontrados em todos os grupos raciais, geográficos e profissionais. No passado, o uso de cocaína costumava ser associado a certos profissionais como executivos, artistas e atletas. Seu alto custo transformava a cocaína em droga de elite, restrita a pessoas que dispunham de renda considerável, visto que só existia a cocaína em pó que podia ser inalada ou injetada. Hoje, o baixo custo do crack permite que pessoas de classes sociais menos favorecidas tenham acesso à droga. Assim, o crack está presente entre meninos de rua, estudantes, jovens e adultos, não estabelecendo um grupo ou uma idade específica.
Os efeitos físicos do uso de cocaína envolvem aumento do número de batimentos do coração e da pressão arterial, aumento da temperatura corpórea e pupilas dilatadas. Em casos agudos de intoxicação, a estimulação central profunda leva a convulsões e arritmias ventriculares (o coração bate descompassadamente) e com disfunção respiratória que podem levar à morte.
Existem inúmeras complicações físicas associadas ao uso crônico da cocaína. Os distúrbios mais freqüentes são os cardiovasculares, incluindo distúrbios no ritmo cardíaco e ataques do coração. A cocaína provoca ainda efeitos respiratórios como dor no peito e dificuldade respiratória, além de efeitos gastrointestinais como dores e náuseas. É importante ressaltar que o aparecimento de problemas pelo uso crônico irá depender da via de administração. Por exemplo, problemas nasais, como ruptura do septo nasal e perda do olfato, aparecem com aspiração crônica da cocaína. Distúrbios cardiovasculares aparecem em todas as vias de administração. No uso de crack há complicações respiratórias ainda maiores envolvendo bronquite, tosse persistente e disfunções severas.
A via endovenosa, além de aumentar o risco de overdose, propicia disseminação de infecções tais como hepatite B e C e AIDS. Além disso, o uso crônico de cocaína, sob qualquer forma de uso, leva a uma degeneração dos músculos esqueléticos, num processo irreversível chamado rabdomiólise.
A cocaína causa uma excitação geral do organismo. Ela melhora o estado de alerta, os movimentos, acelera os pensamentos, tira o sono e suprime o apetite. Isto ocorre por sua ação no Sistema Nervoso Central, interferindo com as reações químicas do cérebro.
O usuário tem uma sensação de poder, força e euforia. Mas a pessoa fica também irrequieta, tremula e impaciente. Devido à inquietação comete muitos erros mentais, como por exemplo, fazer cálculos. A duração destes efeitos depende da via de administração da droga. Quanto mais rápida a absorção, mais intensa é a sensação de prazer. Por outro lado, quanto mais rápida a absorção, menor é a duração dos efeitos. Além da sensação de prazer, a droga leva a temporária perda do apetite e do sono, torna a pessoa mais comunicativa. O uso crônico e compulsivo da cocaína leva a conseqüências psicológicas, representadas por distúrbios psiquiátricos. Depressão, ansiedade, irritabilidade, distúrbios do humor e paranóia ("nóia"; sentir-se perseguido, vigiado, etc) são as queixas de ordem psicológica mais comuns. Entre outros problemas estão agressividade, delírios (principalmente os delírios persecutórios, onde a pessoa acredita que os outros estão tramando contra ela ou falando mal, etc) e alucinações (ver ou ouvir objetos e sons inexistentes). Quando a dependência se estabelece de forma significativa há perda do interesse por tudo que não estabeleça relação com uso da droga. O usuário vive para usar a droga.A cocaína é um potente anestésico local. Ela chegou a ser utilizada como medicamento até o início do século XX, para vários males. Ela já foi utilizada em cirurgias oculares (gotejando-se no olho como anestesia reversível da córnea), dentárias e auditivas. Atualmente não tem uso médico. Esta uma droga com alto poder de gerar dependência. Uma vez tendo experimentado a cocaína existem pessoas que não podem mais determinar ou controlar a extensão com que irão continuar usando a droga. No caso da cocaína em pó não existe um tempo definido para o estabelecimento da dependência; mas no caso do crack a dependência tende a surgir logo nas primeiras "pipadas"(ato de fumar o cachimbo contendo o crack) . O crack é uma das drogas mais potentes e indutoras de dependência.

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